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Hospital Edson Ramalho reduz em 60% os casos de pneumonia associada à ventilação mecânica na UTI e avança no controle de infecções

publicado: 11/04/2026 10h34, última modificação: 11/04/2026 10h34

A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV), principal tipo de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS) em unidades críticas, tem apresentado redução significativa no Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER). Os dados mais recentes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto apontam uma mudança importante de cenário: a densidade de incidência — indicador que mede o número de casos por mil pacientes em ventilação mecânica — caiu de uma média de 36,1 entre janeiro e março de 2025 para 23,51 no mesmo período deste ano, representando uma redução de 34%.

O recuo é ainda mais expressivo na análise mensal. Em janeiro, o índice foi de 20,54; em fevereiro, subiu para 35,71; e, em março, despencou para 14,28 — uma queda de cerca de 60% em relação ao mês anterior. Além de ficar abaixo da meta preconizada (inferior a 30), o resultado consolida uma tendência de controle mais efetivo das infecções. 

“Essa redução tem relação direta com as ações do Programa de Prevenção à Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica, especialmente as atividades educativas e de reforço de protocolos realizadas entre fevereiro e março”, explica a médica infectologista Wanja Lima, presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do HSGER.

Segundo Wanja Lima, o hospital mantém um programa contínuo de prevenção da PAV, que inclui capacitações periódicas com as equipes assistenciais. As ações realizadas no início deste ano reforçaram práticas essenciais, como cuidados com a higiene das mãos, manejo adequado da ventilação mecânica e vigilância rigorosa dos pacientes. “A pneumonia é a infecção mais frequente dentro do hospital. Por isso, a gente trabalha constantemente para lembrar e reforçar com as equipes tudo o que precisa ser feito para evitar esses casos”, destaca.

A estratégia faz parte de um conjunto mais amplo de iniciativas da CCIH, que atua diretamente na segurança do paciente durante toda a internação. O trabalho envolve desde a elaboração de protocolos até a análise diária de indicadores e a atuação integrada com equipes multiprofissionais. Infectologistas também exercem papel fundamental na avaliação de casos complexos, emissão de pareceres clínicos e definição de medidas como isolamento e uso racional de antimicrobianos.

Segurança do paciente como prioridade

Mais do que reduzir indicadores, o trabalho da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Edson Ramalho está diretamente ligado à construção de um ambiente assistencial mais seguro e qualificado. A atuação começa ainda na admissão do paciente e segue durante toda a internação, com vigilância contínua, aplicação rigorosa de protocolos e tomada de decisões baseada em evidências. O objetivo é claro: minimizar riscos e evitar que o paciente adquira infecções durante o tratamento.

Nesse contexto, a presença da infectologia é estratégica e permanente. A equipe atua de forma integrada com médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde, avaliando casos em tempo real, orientando condutas e intervindo sempre que necessário. Entre as ações, estão a análise criteriosa de exames e culturas, a definição de medidas de isolamento — seja por contato, gotículas ou aerossóis — e o acompanhamento do uso de antimicrobianos, evitando tanto o uso inadequado quanto a resistência bacteriana. Esse olhar especializado garante respostas rápidas e assertivas, sobretudo em situações mais complexas.

Outro ponto fundamental é a padronização de fluxos assistenciais, como os protocolos institucionais que tornam mais ágil a identificação de quadros infecciosos. “A gente utiliza critérios sensíveis justamente para não deixar passar nenhum caso. É melhor investigar mais do que correr o risco de não tratar um paciente que precisa”, explica Wanja. Segundo ela, esse modelo permite uma abordagem precoce, o que é decisivo para evitar agravamentos e melhorar o prognóstico dos pacientes.

Além da assistência direta, a educação continuada das equipes é tratada como pilar central. A CCIH promove treinamentos frequentes, campanhas internas e ações educativas que reforçam boas práticas no dia a dia hospitalar. Essa cultura de prevenção, aliada ao monitoramento constante dos indicadores, tem refletido em resultados concretos. “Quando a gente reduz infecção, reduz complicação, tempo de internação e mortalidade. No fim, quem ganha é o paciente, que tem um cuidado mais seguro e eficaz”, reforça a médica.