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Dificuldade para engolir pode indicar risco grave à saúde; Hospital Edson Ramalho alerta para sinais da disfagia
A dificuldade para engolir alimentos ou líquidos pode representar um risco significativo à saúde. Conhecida como disfagia, essa condição pode levar a complicações graves, como desnutrição e pneumonia por broncoaspiração. No Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER), pacientes com esse tipo de alteração recebem acompanhamento especializado, com avaliação e tratamento realizados por equipe multiprofissional.
Nesta sexta-feira (20), data em que se comemora o Dia de Atenção à Disfagia, a fonoaudióloga Crisélia Freitas chama a atenção para os primeiros sintomas dessa condição, que incluem tosse tosse durante a alimentação, engasgos frequentes, chegando à queda na saturação de oxigênio e cianose — quando os lábios ficam arroxeados. “Às vezes o paciente tem pneumonias recorrentes e não associa que isso pode ser consequência de engasgos frequentes”, alerta Crisélia Freitas.
A fonoaudióloga, que é pós-graduada em disfagia, destaca que existem diferentes tipos de disfagia, cada um associado a causas específicas. A disfagia neurogênica ocorre quando há algum comprometimento neurológico que afeta o processo de deglutição. “Entre as causas mais comuns estão sequelas de acidente vascular cerebral ou traumatismo cranioencefálico, podendo apresentar diferentes graus de gravidade”, comenta.
Já a disfagia mecânica está relacionada a alterações na musculatura envolvida no processo de engolir ou na coordenação entre respiração e deglutição. “A parte respiratória também pode interferir na coordenação da deglutição. Em alguns casos, pacientes mais jovens que sofreram um AVC menos extenso têm maiores chances de voltar a se alimentar pela via oral. Já em idosos com problemas pulmonares, essa recuperação pode ser mais difícil”, explica a fonoaudióloga.
Outro tipo é a presbifagia, considerada a disfagia associada ao envelhecimento. Ela decorre da diminuição natural da força e da coordenação dos músculos envolvidos na deglutição. “Com a idade, a musculatura fica mais flácida e pode surgir dificuldade para engolir, muitas vezes também associada à perda dentária”, complementa.
Há ainda casos de disfagia induzida por medicamentos ou substâncias, quando o uso de determinados remédios, álcool ou outras drogas reduz o nível de consciência do paciente, aumentando o risco de engasgos.

Broncoaspiração - Durante o processo normal de deglutição, estruturas do sistema respiratório e digestivo trabalham de forma coordenada para evitar que alimentos entrem nas vias aéreas. “A laringe se eleva e encontra a epiglote, que fecha temporariamente a passagem para o pulmão, permitindo que o alimento siga pelo esôfago. Quando essa coordenação é comprometida, o alimento pode entrar nas vias respiratórias, provocando a chamada broncoaspiração. Esse quadro pode causar infecções pulmonares, como a pneumonia por broncoaspiração”, relata Crisélia Freitas.
Diagnóstico - Um dos métodos de avaliação utilizados pela fonoaudiologia é a ausculta cervical, realizada com estetoscópio na região do pescoço. O exame permite identificar ruídos anormais durante a deglutição que podem indicar presença de saliva ou alimento nas vias respiratórias.
Nutrição - Conforme o coordenador de Nutrição do Hospital Edson Ramalho, Felipe Lundgren, o manejo nutricional em pacientes com disfagia exige avaliação criteriosa e conduta individualizada, com foco na segurança alimentar e na recuperação do estado nutricional.
“Quando há risco de broncoaspiração, a primeira medida é a adequação da consistência da dieta, conforme o grau de disfagia identificado pela equipe. Trabalhamos com diferentes níveis de textura, como dietas pastosas homogêneas, liquidificadas e modificadas, sempre sem grumos e com padrão seguro de oferta, reduzindo significativamente o risco de aspiração”, explica Felipe Lundgren.
Ele destaca que a modificação da viscosidade dos líquidos é uma estratégia essencial no cuidado dos pacientes. “A utilização de espessantes permite maior controle do bolo alimentar durante a deglutição, promovendo mais segurança e diminuindo episódios de engasgo”, acrescenta.
Outro ponto fundamental é o planejamento nutricional individualizado, considerando as necessidades calóricas e proteicas, o estado clínico e o risco de desnutrição. “Grande parte desses pacientes já apresenta perda de peso ou ingestão reduzida. Por isso, indicamos dietas hipercalóricas e hiperproteicas, além do uso de suplementos nutricionais, quando necessário, para garantir aporte adequado e favorecer a recuperação clínica”, ressalta.

Tratamento - Entre as estratégias utilizadas de tratamento aos pacientes estão exercícios específicos de fonoterapia, mobilização da laringe, além de recursos como laserterapia e eletroestimulação para estimular os músculos responsáveis pela deglutição.
A técnica de enfermagem Josélia da Silva, esposa do paciente José Galdino, relata que o marido foi internado no Hospital Edson Ramalho após sofrer o segundo AVC. “Graças a Deus, ele está sendo bem tratado. Quando chegou aqui, ele estava muito debilitado. Agora, já consegue se comunicar com a gente pelo olhar e responder por gestos”, conta.
Ela destaca o acompanhamento da equipe multiprofissional durante a internação. “Eu sou técnica de enfermagem e vejo o cuidado da equipe. Todos os dias eles explicam tudo para a gente. As dietas estão vindo nos horários certinhos e ele está aceitando bem a alimentação, que é feita por sonda”, relata.
Segundo a fonoaudióloga Crisélia Freitas, o acompanhamento adequado é fundamental para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “Com avaliação correta e terapia específica, muitos pacientes conseguem evoluir e recuperar a capacidade de se alimentar com segurança”, complementa.
Campanha acadêmica - Nesta semana, o Hospital Edson Ramalho recebeu estudantes de Fonoaudiologia da UFPB que promoveram uma campanha de conscientização em alusão ao Dia Nacional de Atenção à Disfagia. “A campanha é do projeto de extensão Unidos e está percorrendo todos os hospitais de João Pessoa. Nos dividimos em grupos para conscientizar pacientes e acompanhantes sobre a disfagia”, afirmou a estudante Beatriz Melo.
O colega de turma dela, Henrique Rodrigues, destacou a importância de aproximar a teoria da prática vista no hospital. “Visitamos vários perfis de pacientes nos setores do hospital para falar sobre essa questão que atinge o ser humano no aspecto físico, emocional e social”, indicou.
A fonoaudióloga Crisélia Freitas aponta que as campanhas são importantes para os pacientes e os estudantes. “O Hospital Edson Ramalho está de portas abertas para todos os estudantes que queiram nos visitar e divulgar campanhas e ações em saúde que beneficiem os pacientes e acompanhantes”, frisa ela.